Keynote Speaker

Paisagens, Território e Mobilidades

      Ana C. Sousa

      Faculdade de letras da Universidade de Lisboa

      Doutora em Pré-história (2010) e Mestre em Pré-história e Arqueologia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1997) Licenciada em História, variante de Arqueologia (1993).
      Professora na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa desde 2008, leccionando nas Licenciaturas de Arqueologia e de História e no Mestrado em Arqueologia.
      Investigadora na UNIARQ, no Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa, desde 1997.
      Exerce funções como Vice-Presidente do Conselho Diretivo do Património Cultural, IP (Ministério da Cultura, Juventude e Desportos) desde 2024, tendo igualmente exercido funções como subdiretora da Direção Geral do Património Cultural (2012-2013) e do Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico (2011-2012). Coordenadora do Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal de Mafra entre 1997-2011.
      Desenvolve investigação sobre as antigas sociedades camponesas do 6º ao 2º milénio a.n.e., com enfoque sobre arquiteturas monumentais. Investigadora principal e investigadora em inúmeros projetos de investigação arqueológica e projetos de valorização nacionais e internacionais. Diretora de 81 escavações arqueológicas, principalmente em sítios pré-históricos.
      Autora de sete livros, coordenadora de dez livros coletivos e autora de mais de 140 artigos em publicações nacionais e internacionais. Coordenou as publicações do Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa (2016-2024), incluindo a revista Ophiussa .
      Bolseira do Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica para o mestrado  (1994-1996) e da Fundação Calouste Gulbenkian para o doutoramento  (2004-2007). Membro Correspondente do Instituto Arqueológico Alemão, desde 2017 e Membro Correspondente da Academia Portuguesa de História (2023). Recebeu prémios e distinções do Instituto Arqueológico Americano (2012), da Academia Portuguesa da História (2019, 2021, 2022) e Ciência Viva (2024), 

      Resumo

      PT - Os sepulcros tipo tholoi do Centro e Sul de Portugal: memória(s) e (re)utilizações

      Entendemos o Megalitismo numa acepção holística, que compreende não exclusivamente uma tipologia arquitetónica mas sobretudo um conjunto de práticas sociais e simbólicas relacionada mas não exclusivas do mundo funerário, já avançadas por  autores consagrados como Sherratt e V. Gonçalves.

      Na Península Ibérica, os tholoi, sepulcros de falsa cúpula, constituem a “ultima” solução arquitetónica que se pode inscrever no fenómeno megalítico das antigas sociedades camponesas, patente em vários monumentos do Alentejo e da Península de Lisboa que evidenciam reutilizações / transformações de sepulcros neolíticos como antas, grutas e hipogeus. Por outro lado, são também frequentes as reutilizações datadas da Idade do Bronze em tholoi, funerárias ou não.

      A presente comunicação discute o significado dos tholoi como elo de ligação entre a paisagem megalítica do 4º milénio e os diversos usos das sociedades da Idade do Bronze do 2º milénio a.n.e.

      Palavras-chave: Paisagem megalitica; Antas/dolmens; Tholoi; Reutilizações; Idade do Bronze

      EN - Tholos-type tombs of Central and Southern Portugal: memory(ies) and (re)use(s)

      We understand Megalithism in a holistic sense, encompassing not solely an architectural typology but, above all, a set of social and symbolic practices related to, though not exclusive to, the funerary sphere, as previously put forward by established scholars such as Sherratt and V. Gonçalves.

      In the Iberian Peninsula, tholoi (corbelled, false-dome tombs) represent the ‘final’ architectural solution that can be placed within the megalithic phenomenon of early farming societies. This is evident in several monuments in the Alentejo and the Lisbon Peninsula, which show the reuse and/or transformation of Neolithic tombs such as antas/dolmens, caves and hypogea. Bronze Age reuses of tholoi, whether funerary or otherwise, are also common.

      This paper discusses the significance of tholoi as a link between the megalithic landscape of the 4th millennium and the diverse uses made of them by Bronze Age societies in the 2nd millennium BCE.

      Keywords: Megalithic landscape; Antas/Dolmens; Tholoi; Reuses; Bronze Age