Keynote Speaker

Gestão do Património

    Julián Sobrino Simal

    Universidade de Sevilha

    Doutorado em História da Arte (Universidade de Sevilha) e Licenciado em História da Arte (Universidade Complutense de Madrid). Foi professor titular da ETSA da Universidade de Sevilha, onde atualmente continua a exercer funções como investigador honorário, e leciona também no Mestrado em Património Cultural da Universidade de Huelva.

    Especialista em história da arquitetura industrial, património cultural e sistemas de interpretação, desenvolveu uma sólida trajetória investigativa e académica. Coordenou projetos de I+D+i do Plano Nacional e participou em iniciativas internacionais como o programa INTERREG B-TEAM. Possui dois sexénios de investigação, orientou dez teses de doutoramento na última década e ultrapassa as 520 citações, situando-se entre os autores mais produtivos e citados no âmbito do património industrial em Espanha.

    Entre as suas publicações destacam-se obras de referência como Arquitectura industrial em Espanha (1830-1990), Arquitectura da indústria na Andaluzia e Luces sobre a memória. A Real Fábrica de Artilharia de Sevilha. Nos últimos anos, coordenou Análise dos Inventários do património industrial. Um modelo de registo para a Andaluzia e editou O nosso Norte é o Sul: Re_Visões patrimoniais. Além disso, publicou numerosos capítulos e artigos sobre património ferroviário, «company towns» e paisagens da produção.

    A sua experiência abrange também a museografia e a valorização do património, com projetos como o Ecomuseu da Serra Norte de Sevilha e a Estação de Filtragem de La Algaba. Atualmente, presta consultoria em intervenções na Fábrica de Vidro La Trinidad e na Estação de Bombeamento de Adufe Bajo. É promotor do Mapa Colaborativo do Património Industrial da América Latina e das Caraíbas (MapaPI) do TICCIH, membro do TICCIH-Espanha, presidente da Associação Fabricando el Sur e membro de vários comités editoriais. O seu trabalho defende uma revisão crítica do paradigma patrimonial, incorporando a cultura do trabalho a partir de uma perspetiva socialmente empenhada.

    ORCID

    PRISMA

    Resumo

    PT - Reconhecer, vincular, experimentar: a gestão como laboratório patrimonial 

    Num tempo marcado pela homogeneização global, pela crise ecológica, pela saturação tecnológica e pelos conflitos de memória, a gestão do património já não pode limitar-se à identificação, catalogação, proteção e difusão dos bens culturais. Esta conferência propõe entendê-la como uma prática crítica, relacional e experimental, capaz de reconhecer a estratigrafia histórica e cultural dos lugares da produção, da memória e do habitar — nos seus tempos, nos seus espaços e nas suas materialidades — e de ensaiar novas formas de mediação, ativação e responsabilidade pública. 

    A fragilidade contemporânea do genius loci e o seu progressivo desgaste perante os processos de estandardização, turistificação e produção de não-lugares tornam necessária uma revitalização crítica da gestão do património, de modo a lê-lo, interpretá-lo e ativá-lo como processo de configuração histórica, sensível e socialmente construída. 

    Nesta perspetiva, o laboratório patrimonial afirma-se como uma figura conceptual e metodológica: um espaço — loci — de conhecimento, mediação e projeto, a partir do qual se renovam criticamente as formas de gestão, fazendo convergir arquivos, saberes, memórias, conflitos e expectativas. Neste quadro, a experimentação — genius — atua como a energia crítica que ativa vínculos, confronta hipóteses, ensaia dispositivos de participação e abre o campo a futuros possíveis para uma gestão do património mais reflexiva e socialmente inclusiva, sem a esvaziar da sua espessura histórica. 

    Entendida deste modo, a gestão patrimonial articula-se em torno de três operações — reconhecer, vincular e experimentar — que permitem pensá-la não como uma técnica administrativa, mas como uma inteligência territorial pública orientada para produzir legibilidade histórica, comunidade interpretativa e futuros partilhados. 

    ES - Reconocer, vincular, experimentar: la gestión como laboratorio patrimonial 

    En un tiempo marcado por la homogeneización global, la crisis ecológica, la saturación tecnológica y los conflictos de memoria, la gestión del patrimonio ya no puede limitarse a identificar, catalogar, proteger y difundir los bienes culturales. Esta conferencia propone entenderla como una práctica crítica, relacional y experimental, capaz de reconocer la estratigrafía histórica y cultural de los lugares de la producción, de la memoria y del habitar —en sus tiempos, sus espacios y sus materialidades— y de ensayar nuevas formas de mediación, activación y responsabilidad pública. La fragilidad contemporánea del genius loci y su progresivo desgaste frente a los procesos de estandarización, turistificación y producción de no lugares obligan a revitalizar críticamente la gestión del patrimonio, para leerlo, interpretarlo y activarlo como un proceso de configuración histórica, sensible y socialmente construida. 

    En esta perspectiva, el laboratorio patrimonial se afirma como una figura conceptual y metodológica: un espacio -loci- de conocimiento, mediación y proyecto desde el que renovar críticamente las formas de gestión, haciendo converger archivos, saberes, memorias, conflictos y expectativas. En ese marco, la experimentación -genius- actúa como la energía crítica que activa los vínculos, contrasta las hipótesis, ensaya los dispositivos de participación y abre el campo hacia futuros posibles para una gestión del patrimonio más reflexiva y socialmente inclusiva, sin vaciarla de espesor histórico. 

    Entendida así, la gestión patrimonial se articula en torno a tres operaciones -reconocer, vincular y experimentar- que permiten pensarla no como una técnica administrativa, sino como una inteligencia territorial pública orientada a producir legibilidad histórica, comunidad interpretativa y futuros compartidos. 

    EN - Recognising, Connecting, Experimenting: Management as a Heritage Laboratory 

    At a time marked by global homogenisation, ecological crisis, technological saturation, and conflicts of memory, heritage management can no longer be confined to identifying, cataloguing, protecting, and disseminating cultural assets. This lecture proposes to approach it as a critical, relational, and experimental practice, capable of recognising the historical and cultural stratigraphy of places of production, memory, and dwelling — across their temporalities, spaces, and materialities — while testing new forms of mediation, activation, and public responsibility. 

    The contemporary fragility of the genius loci and its gradual erosion through processes of standardisation, touristification, and the production of non-places make it necessary to critically revitalise heritage management, to read, interpret, and activate heritage as a historically, sensorially, and socially constructed process. 

    From this perspective, the heritage laboratory emerges as a conceptual and methodological figure: a space — loci — of knowledge, mediation, and project from which forms of management may be critically renewed by bringing archives, knowledges, memories, conflicts, and expectations into convergence. Within this framework, experimentation — genius — acts as the critical energy that activates connections, tests hypotheses, rehearses participatory devices, and opens the field to possible futures for a more reflective and socially inclusive form of heritage management, without emptying it of historical thickness. 

    Understood in this way, heritage management is articulated around three operations — recognising, connecting, and experimenting — that allow it to be conceived not as an administrative technique, but as a form of public territorial intelligence oriented towards producing historical legibility, interpretive community, and shared futures.